segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

"You missed the starting gun"



             A sensação é de que o tempo escorre pelas mãos, e que, devido a tal fato, muito do que podia se fazer é perdido. O que está acontecendo? Por que a vida está se tornando tão efêmera? Creio que esse seja um sentimento global, pois, ao menos as pessoas que convivo (e eu, óbvio) reclamam frequentemente que as 24h do dia não são suficientes para realizar as devidas tarefas e prazeres que gostariam.
                
               Tenho algumas hipóteses para, talvez, explicar esse fenômeno. Primeiro: vivemos a geração tecnológica, na qual temos informações instantaneamente, a todo momento. Em segundos somos capazes de captar o que ocorre em redor mundo. Logo, tudo se processa muito, mas muito rápido, e isso nos instiga, acredito, a andar na mesma velocidade. Afinal, se não dançarmos conforme a música, podemos desperdiçar detalhes preciosos para nossa própria existência.

             Em segundo lugar, e não menos importante, vem a rotina por si só. As obrigações são deveras árduas e elas aumentam a cada minuto. Seu trabalho consome (no mínimo) 8 horas do seu dia. Além disso, é necessário possuir a habilidade de dividi-lo com estudos (que nunca acabam, e quanto mais, melhor), um certo tempo pra cuidar da saúde, alguns ainda para cuidar da família, da casa, da comida, do cachorro, do papagaio...e da vida alheia (alguns conseguem, não sei como!) rs. E ainda não é suficiente, porque, em adendo à autoexigência que está ali, sempre persistindo dentro de nós, há a demanda da sociedade por seres humanos cada vez mais "maquinalizados", se me permitem tal neologia, com uma memória ram gigante para ser capaz de processar tanto conhecimento  e tantas funções diferentes. Chego até a desconfiar se não possuímos alguns super poderes para dar conta disso.

           Do outro lado, padece a negligência com o tempo que nos é dado, o qual acabamos perdendo com superfluidades cotidianas. Cabe aqui, mais uma vez, inserir nossos novos meios de comunicação. No mesmo instante que nos dá o ensejo de tornarmos cientes do que anda a suceder, nos leva também a gastar horas ali, batendo um papo inútil, lendo coisas desnecessárias, e vendo o que o outro está fazendo, ou seja, "comendo" nosso tempo.

           Não, isso não é de todo ruim, precisamos de um escape durante o dia, contudo, a questão é que se perde a noção de quantas décadas ficamos ali, vidrados, deslizando o dedinho na tela do celular (acho que nem digitais eu tenho mais). Quando a gente desperta e olha para o relógio, as horas se esvaíram e o dia não rendeu. E então, tudo se acumula e o caos se estabelece.

     Num piscar de olhos, somos capazes de deixar passar momentos fugazes porém tão importantes, que poderiam transformar nossas vidas, e que talvez nunca voltarão...e ninguém vai nos alertar: " ei, você! Wake up! Sua vida está indo embora, e o que você fez de bom nela? O que você fez que te deu prazer de verdade? Será que está vivendo, ou apenas sobrevivendo?..." 

"And then one day you find
Ten years have got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun..."


Música inspiração do dia: Time - Pink Floyd - 1973
Imagem:  A Persistência da Memória - Salvador Dalí - 1931

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