A natureza nos mostra na sua simplicidade que a vida se baseia em ciclos. Onde algo nasce, cresce, reproduz e morre, tudo para que um novo organismo ou ambiente apareça e dê continuidade ao processo natural. E assim é na vida cotidiana. Para que algo novo começe, devemos deixar o antigo morrer, devemos digerir o aprendizado que nos valeu, saber nos desapegar daquilo que não nos cabe mais, aceitar as circunstâncias e renascer, mais forte, com a mente e o coração abertos para o que está por vir.
Bom, mas falando com essa clareza até parece fácil, todavia sabemos que quando estamos diante de uma mudança, nosso ser como um todo sofre. O coração acelera, a boca fica seca, o coração aperta e o medo vem. O medo de não dar certo, de recomeçar, de não ter força pra aguentar. E ainda aquela resistência arrebatadora para com o que nos é posto, pois isso geralmente nos tira da zona de conforto.
Muitas vezes acreditamos piamente que algo vá acontecer.Você planeja, luta por aquilo, faz por merecer, tem tudo em mãos para que se materialize. Pronto, ufa, agora é só esperar. Só que quando chega o grand finale, a vida vem e muda tudo, te dá uma rasteira daquelas e fica te olhando caído ali, esperando que você reaja. E o que você consegue fazer? Nada. Senta, chora, grita e xinga até a criancinha que está feliz brincando ali perto. O sentimento de raiva e decepção cresce, e enxergar a solução é a última coisa que passa pela mente.
Contudo, é mais do que comum que nosso ser tenha tal reação, é doloroso ter que aceitar que muito do que se constrói, não é o que a vida quer. E, de alguma maneira louca, ela tenta nos mostrar o caminho e o real sentido das coisas, mas a gente insiste em não ver!
Logo, a questão é se vamos despertar para as pedras que aparecem ou não. Nas duas situações há dor: continuar insistindo no erro e se frustrando por, de algum modo bizarro aquilo não se concretizar, ou começar tudo de novo e caçar outras possibilidades.
A dor é um fato, mas o sofrimento é opcional. Quando fazemos escolhas em nossa vida, sempre pagamos o preço de alguma forma.
O mundo adulto não passa a mão na cabeça, e nem deve, pois quem faz isso são os pais com o bebê, e estamos longe disso, apesar de parecer que vivemos em berços ainda.
Quando abrimos nossa alma para aceitar a começar um novo ciclo, deixando pra trás aquilo que não nos faz sentido, a vida flui, nosso ser evolui e consegue chegar mais longe, e não mais rápido, pois o que adianta chegar rapidamente, sem saber pra onde vai?
A vida é um obstáculo por si só, não se iluda achando que tudo vai dar simplesmente certo. Caia, levante, caia de novo, mas siga em direção aos braços dela, que sempre vai ter muito a oferecer. Algo sempre acaba, pra outro começar. SEMPRE.
"Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste."
J.S.Saramago
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